
Há um momento, na estrada para as Sete Cidades, em que a paisagem se abre e percebemos porque este lugar se tornou uma das imagens mais reconhecidas dos Açores.
Lá em baixo, dentro de uma enorme caldeira vulcânica, surgem a Lagoa Azul e a Lagoa Verde, rodeadas por encostas cobertas de vegetação. Mas Sete Cidades não é sempre aquela fotografia luminosa dos postais. Há dias de céu aberto e outros em que as nuvens atravessam rapidamente a cratera ou o nevoeiro esconde a paisagem durante alguns minutos.
E isso também faz parte da experiência.
Visitar Sete Cidades é descobrir esta paisagem de diferentes alturas e perspetivas, descer até à pequena freguesia junto à lagoa e perceber que há muito mais para conhecer para além da vista mais famosa.
Sete Cidades encontra-se no extremo oeste de São Miguel, no interior de uma grande caldeira vulcânica formada ao longo de milhares de anos.
No seu interior encontra-se a Lagoa das Sete Cidades, normalmente reconhecida pelas duas áreas conhecidas como Lagoa Azul e Lagoa Verde. Apesar das diferentes tonalidades que podemos observar, fazem parte da mesma massa de água, atravessada pela ponte que liga as duas margens.
As cores variam com a luz, as condições atmosféricas, a vegetação envolvente e o ângulo de observação. É uma das razões pelas quais Sete Cidades pode parecer diferente de uma visita para outra.
E talvez a melhor forma de compreender este lugar seja precisamente não ficar apenas num miradouro. Vista de cima, a caldeira impressiona pela escala. Junto à água, revela um lado muito mais tranquilo.
É provavelmente a imagem mais conhecida das Sete Cidades.
Do Miradouro da Vista do Rei observa-se grande parte da caldeira, as duas lagoas e a freguesia junto à margem. Em dias limpos, é fácil perceber a dimensão desta paisagem vulcânica.
O nome remonta à visita do rei D. Carlos I e da rainha D. Amélia aos Açores, em 1901.
É uma paragem muito procurada. Se quiseres desfrutar do local com maior tranquilidade, vale a pena chegar cedo ou evitar as horas de maior movimento.
Se encontrares nevoeiro, não desistas imediatamente. As nuvens podem deslocar-se depressa e, por vezes, alguns minutos são suficientes para a lagoa voltar a aparecer.
No Miradouro da Boca do Inferno, a perspetiva muda completamente.
Daqui, o olhar alcança diferentes lagoas e formas vulcânicas, com sucessivas camadas de vegetação a preencher a paisagem.
O acesso implica uma pequena caminhada e a vista vai surgindo aos poucos até se abrir junto ao miradouro.
É um daqueles locais onde o estado do tempo faz toda a diferença, por isso vale a pena verificar as condições antes de subir.
Menos elevado do que os anteriores, o Cerrado das Freiras oferece uma perspetiva mais próxima da Lagoa das Sete Cidades.
É uma boa paragem durante a descida para a freguesia e permite perceber melhor a dimensão da lagoa antes de chegar à margem.
Combinar vários miradouros é uma das melhores formas de visitar Sete Cidades: cada um revela uma perspetiva diferente da mesma paisagem.
Depois de observar a caldeira de cima, vale a pena continuar pela estrada até à freguesia.
O ritmo muda imediatamente.
As grandes panorâmicas dão lugar a ruas tranquilas, casas, pastagens e à proximidade da água. É aqui que Sete Cidades deixa de ser apenas uma paisagem e volta a ser um lugar onde pessoas vivem todos os dias.
Podes caminhar junto à lagoa, atravessar a ponte entre a Lagoa Azul e a Lagoa Verde e visitar a Igreja de São Nicolau, à qual se chega por uma bonita alameda ladeada de criptomérias.
Não é necessário preencher cada minuto com uma atração. Parte da experiência está precisamente em caminhar sem pressa e observar a caldeira a partir de baixo.
Em dias tranquilos, a lagoa convida a ficar mais tempo.
É possível encontrar atividades como caiaque e stand-up paddle, que permitem observar as encostas da caldeira a partir da água. Mesmo sem fazer qualquer atividade, passear pelas margens mostra uma Sete Cidades muito diferente daquela que se vê nos miradouros.
Se gostas de caminhar, esta é também uma das zonas mais interessantes de São Miguel. Existem percursos que acompanham partes das cumeeiras da caldeira e oferecem diferentes perspetivas sobre as lagoas e a costa oeste da ilha.
É uma possibilidade real e convém contar com ela.
O tempo nas zonas mais elevadas da caldeira pode mudar rapidamente. Podes sair de Ponta Delgada com sol e encontrar a Vista do Rei coberta por nuvens pouco tempo depois.
Antes de partir, vale a pena consultar as câmaras meteorológicas disponíveis na ilha. Se os miradouros estiverem tapados, podes começar pela freguesia e pela lagoa, alterar o percurso ou regressar mais tarde.
Ter carro facilita muito esta flexibilidade. Com a Amazing Island, podes adaptar o dia às condições que encontrares, mudar de direção quando necessário e regressar quando a paisagem começar a surgir entre as nuvens.
Para conhecer os principais miradouros e descer até à lagoa, reserva pelo menos meio dia.
Se quiseres caminhar, fazer uma atividade na água ou explorar com calma outros pontos da zona oeste de São Miguel, um dia inteiro é uma opção melhor.
Aqui, mais do que acumular paragens, interessa dar tempo à paisagem.
Não existe uma hora que garanta céu limpo. O mais importante é verificar as condições meteorológicas no próprio dia e manter alguma flexibilidade no roteiro.
Chegar cedo pode, no entanto, permitir visitar os miradouros mais conhecidos com menos pessoas.
Sim. Chuva ligeira não impede necessariamente a visita e as condições podem mudar depressa. O nevoeiro cerrado costuma ser mais limitativo, porque pode retirar completamente a visibilidade nos miradouros mais elevados.
Não é obrigatório, mas é a forma mais prática de combinar os diferentes miradouros, descer à freguesia e adaptar o percurso às mudanças do tempo.
É fácil chegar às Sete Cidades à procura daquela imagem que já vimos tantas vezes: duas lagoas rodeadas por uma enorme cratera verde.
Mas alguns dos melhores momentos acontecem depois.
Junto à água, longe dos miradouros mais movimentados, a dimensão da paisagem dá lugar à tranquilidade. As nuvens passam, a luz muda e as cores da lagoa raramente são exatamente aquelas que imaginávamos.
Conhecer Sete Cidades não é reproduzir uma fotografia.
É ter liberdade para ficar mais um pouco quando as nuvens começam a abrir — e descobrir como a mesma paisagem nunca parece exatamente igual duas vezes.